CATI Regional Lins e parceiros viabilizam tratamento de esgoto sanitário no meio rural

O esgoto sanitário, se disposto diretamente no meio ambiente sem o devido tratamento, é fonte de diversas enfermidades. No meio rural, as saúdes humana e animal podem ser atingidas, prejudicando a qualidade de vida das pessoas e o sistema produtivo. Frente a esse cenário comum no Brasil, onde apenas 50% do esgoto é coletado e somente 20% são tratados, o Rotary International elencou como áreas de enfoque, entre outros, projetos que contemplem o tratamento e fornecimento de água potável, bem como o tratamento de esgotos sanitários.

Foi dessa forma que o Rotary Club de Lins (distritos Norte e Sul) submeteu um projeto global no site do Matching Grants e conseguiu uma parceria com o Rotary Club of Flower Mound, do Estado do Texas (Estados Unidos da América-EUA), possibilitando a soma de 39 mil dólares em recursos destinados à aquisição de fossas sépticas biodigestoras a serem instaladas em propriedades de agricultores familiares do município de Lins.

“O objetivo do projeto é evitar que o solo e a água do lençol freático sejam ou continuem sendo contaminados pelo esgoto sanitário doméstico produzido no meio rural, o qual é destinado nas famosas, perigosas e inservíveis fossas negras”, afirmou o engenheiro agrônomo Hemerson Calgaro, da Casa da Agricultura de Promissão, município de área de atuação da CATI Regional Lins. Dessa forma, a saúde das famílias dos agricultores será preservada, bem como a qualidade da água utilizada para irrigação das plantações que resultam em alimentos que são produzidos nas unidades agrícolas, em especial hortaliças, frutas, grãos, tubérculos e legumes, além das criações animais. Esses alimentos terão uma garantia de que serão produzidos em ambiente sadio e livre de contaminação infectocontagiosa. O tratamento do esgoto no meio rural, apesar de não ser ainda obrigatório por lei, é de extrema relevância e aderência econômico-social, pois lida diretamente com dois vieses do ser humano: sua saúde e o consumo de alimentos seguros.

Em função do valor do projeto, da capacidade de trabalho (litros) das fossas sépticas e do número de pessoas que residem nas casas, esse projeto está atendendo cerca de 313 pessoas que residem em 81 casas localizadas no meio rural de Lins, com a instalação de 69 fossas sépticas.

O projeto ainda prevê a realização de treinamento (workshops), como o que aconteceu no dia 22 de junho no salão nobre da universidade UniSalesiano de Lins. O público, formado por agricultores beneficiários, pôde assistir às palestras sobre questões pertinentes ao projeto, assim como participar do restante de toda a programação que constou de palestra ministrada pelo superintendente da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp-Regional Lins), Antônio Rodrigues da Grella Filho, que abordou a temática “Água e esgoto, o que é importante saber”. A professora Patrícia Crivelaro, do curso de Enfermagem da UniSalesiano, falou sobre o tema “Higiene pessoal e práticas de manipulação e consumo de água e alimentos” e, por fim, o técnico de uma empresa fornecedora de equipamentos para construção de fossas sépticas, Bruno Siqueira, falou sobre o funcionamento do equipamento, bem como sua instalação e manutenção.

Docentes e alunos do curso de Engenharia Agronômica da UniSalesiano de Lins farão o acompanhamento da instalação, assim como fornecerão orientações por meio de reuniões com o público beneficiário, além de monitoramento após a instalação.

A identificação dos agricultores que iriam participar do projeto foi feita com o com auxílio da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, por meio da CATI Regional Lins, e envolveu as Casas da Agricultura de Lins e Promissão. “A CATI detém informações socioeconômicas de famílias de agricultores familiares de Lins e, junto com o Sindicato Rural de Lins, pôde fazer o levantamento e as indicações. “Estamos contribuindo com esse projeto por entendermos a importância da utilização das fossas sépticas biodigestoras no meio rural. Durante o Programa Estadual de Microbacias Hidrográficas, foram instaladas a custo bastante reduzido (10% do total) em 60 propriedades, sendo três em Lins e 57 nos municípios vinculados à CATI Regional Lins. O saneamento rural é visto pela CATI como fator imprescindível ao uso sustentável do imóvel rural, com proteção dos recursos naturais e como forma de melhorar a qualidade de vida, justificando assim a participação efetiva em projetos como esse”, afirmou Calgaro.

Além da CATI Regional Lins, outras entidades figuram como apoiadores do projeto, como a Associação de Produtores e Olericultores de Lins e Região (Apol), a Sabesp e o Horto Florestal de Lins.


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